Acabam de surgir novos sinais de que a campanha da Casa Branca contra as armas nucleares do Irã tem enormes chances de fracassar -- devido ao seu caráter hipócrita. Vale a pena ler o artigo publicado ontem, no site Política Internacional em Foco, por Frida Barrigan, uma pesquisadora norte-americana especializada em produção e comércio de armas. Ela revela que, no exato instante em que condenam o programa atômico de Teerã, os EUA ampliam seus investimentos em novas armas atômicas.
Os números são expressivos. No orçamento para 2008, proposto pelo governo Bush há poucas semanas, prevêem-se 6,4 bilhões de dólares para pesquisa de armas nucleares. É uma soma recorde, superior inclusive à média destinada às mesmas atividades durante a Guerra Fria (US$ 4,8 bi, em valores de hoje). Mais: os recursos visam fortalecer uma iniciativa denominada Complex 2003, proposta pela Administração Nacional de Segurança Nuclear, e que visa constituir "um complexo de armas nucleares para fazer frente às ameaças do século 21". Prevêem-se investimentos de US$ 150 bilhões.
O texto põe o dedo numa ferida dolorosa: um dos estímulos à proliferação de armas atômicas, a que o planeta assiste, é o próprio Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Ele cria uma desigualdade explícita: tenta impedir a entrada de novos sócios no "clube atômico", enquanto garante aos atuais integrantes plena liberdade para desenvolver seus arsenais.
Mais:
> O artigo de Frida Barrigan
> Dossiê do Le Monde Diplomatique-Brasil sobre a disputa EUA-Irã
sexta-feira, 2 de março de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
Caro Antonio,
por ser uma pessoa preocupada com o tipo de informação que absorvo, nunca acreditei de fato que o Irã estivesse construindo armas nucleares. Sempre vi como nojenta a reação de washington à uma suposta pretensão nuclear de Teerã. Não que eu seja a favor, sou contra qualquer aventura nuclear, não importando o país. Porém, no entanto, o Tio Sam têm o maior arsenal nuclear do mundo e pelo jeito, não pensa em parar de aumentá-lo. Isso sim é preocupante, visto que este foi o único país a fazer uso desta arma. E o que a opinião pública mundial pensa a respeito?
É assustadora a relação entre armas e dinheiro. Mais assutadores, são os lucros exorbitantes e absurdos da poderosa indústria armamentista. O que me leva a crer que este discursinho de combate ao "terrorismo" (claro, nesse caso é sempre o dos outros... terroristas são eles) patrocinado por um tal "Império do Mal", que só deseja destruir o ocidente e acabar com a nossa paz; é no entanto, mais uma manobra hipócrita e canalha, que apenas têm como beneficiados, as indústrias de armas e os responsáveis por esse tipo de política.
Sinceramente, na minha opinião, considero ingenuidade quando alguém acha possível a paz mundial num sistema tão destrutivo e baseado no lucro a todo custo, como esse em que vivemos.
Abraços!!
Postar um comentário