sexta-feira, 2 de março de 2007

Irã atômico: a hipocrisia de Washington

Acabam de surgir novos sinais de que a campanha da Casa Branca contra as armas nucleares do Irã tem enormes chances de fracassar -- devido ao seu caráter hipócrita. Vale a pena ler o artigo publicado ontem, no site Política Internacional em Foco, por Frida Barrigan, uma pesquisadora norte-americana especializada em produção e comércio de armas. Ela revela que, no exato instante em que condenam o programa atômico de Teerã, os EUA ampliam seus investimentos em novas armas atômicas.

Os números são expressivos. No orçamento para 2008, proposto pelo governo Bush há poucas semanas, prevêem-se 6,4 bilhões de dólares para pesquisa de armas nucleares. É uma soma recorde, superior inclusive à média destinada às mesmas atividades durante a Guerra Fria (US$ 4,8 bi, em valores de hoje). Mais: os recursos visam fortalecer uma iniciativa denominada Complex 2003, proposta pela Administração Nacional de Segurança Nuclear, e que visa constituir "um complexo de armas nucleares para fazer frente às ameaças do século 21". Prevêem-se investimentos de US$ 150 bilhões.

O texto põe o dedo numa ferida dolorosa: um dos estímulos à proliferação de armas atômicas, a que o planeta assiste, é o próprio Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Ele cria uma desigualdade explícita: tenta impedir a entrada de novos sócios no "clube atômico", enquanto garante aos atuais integrantes plena liberdade para desenvolver seus arsenais.

Mais:
> O artigo de Frida Barrigan
> Dossiê do Le Monde Diplomatique-Brasil sobre a disputa EUA-Irã